Reflexões diante do distanciamento

A busca do abraço, do encontro, do amor me faz pensar em que nós todos nos dividimos para alcançar o todo. Muitos se desdobram para serem aranhas na tecelagem da vida no combate ao vírus invisível. A Invisibilidade, talvez seja a palavra da hora para muitos que as vezes para serem visíveis são mortos ou apenas, nascem por assim dizer. Os invisíveis aos olhos de familiares, os invisíveis aos olhos do Estado, os invisíveis que querem ser visos para serem curados. A cura do espírito e a cura aos olhos do amor.

Amor que se vivencia, que faz sentido ao acordar. Você gosta de você? Você se respeita? você se cuida? Penso dentro dos meus fios invisíveis o que podemos curar? Porque a construção no amor é cura, porque o silêncio é uma das pausas para chegar ao emocional. E se dar conta disso, nos faz nos construir aos poucos.

Ontem, vi algumas entrevistas e fui buscar o meu cuidado. O que significa cuidar-se?

Os nascimentos em épocas de covid-19 que ao escolherem as suas profissões tiveram que se afastar para poder se aproximar. Diante da missão em servir, deixando seus pequenos filhos, seus bebês que recém abriram os olhos e não sabem o que acontece, mas já tem a certeza do que os pais vieram para que tudo fosse nutrido. Nascimentos filmados por uma tela de celular, a gravidez da enfermeira que veio noticiada dentro do hospital, o receio da mãe médica de seu filho de um ano não a reconheça mais. Os pacientes que já estavam internados mais idosos, pensando no abandono dos familiares, e sequer percebem que o amor distancia para aproximar. Apesar de já acreditarem que foram esquecidos pelo tempo.

O choro, o suspiro escondido para não demonstrar o medo, o receio de estar na linha de frente e ter que lutar todos os dias pelas incertezas da vida no sistema prisional.

As invisibilidades daqueles que ali cumprem pena e das penas sofridas pelo distanciamento do e no sistema prisional. Há um emudecimento nos seus direitos, uma ausência em pertencer ao processo. Um vazio dos que encaram como missão, de incertezas da finitude em que todos estão envolvidos. Somos muitos, e somos poucos que tem a consciência no sobre/ viver.

As alterações necessárias nas empresas em pensar no seu funcionário que não sabe o que será o amanhã, podendo ser descartado pelas contingências do negócio e das crises econômicas em que a invisibilidade desse vírus nos traz. As lideranças que precisam manter-se, mas mostram-se cautelosas em como manter e fazer a diferença em seus negócios ou ainda, poder mantê-lo, funcionando. Como co-criar o novo, o incerto, o perto e o distante de um país de inúmeras diversidades.

A multiplicidade de mãos que se unem na iniciativa privada para ter o cuidado com o direito maior de nossas vidas, o direito à saúde com dignidade. Empresários, vários segmentos da sociedade civil se entrelaçam, caminhos se cruzam em um propósito, manter a paz e o cuidado. Somos muitos, somos possíveis em criar espaços. Mas para fazer o mundo sorrir precisamos de memória, de esforço, de disciplina e de compaixão. Onde queremos chegar? O que levaremos na nossa bagagem? O que seremos? Podemos ser o visível para os invisíveis?

O que seremos no mundo do querer ou melhor, o que queremos no mundo do ser ? O que seremos nesse novo mundo ?

Simone Schroeder.

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